O objetivo do blog eh manter os meus amigos atualizados sobre a minha jornada aqui no Canada.
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segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Perdi o meu cartão de crédito

Sexta-feira, pouco depois da hora do almoço, fui à uma loja no shopping, que fica embaixo do meu trabalho. Coloquei os meus cartões no bolso da calça e fiz a minha compra.
Na hora de ir embora do trabalho, fui tirar os cartões do bolso para guardar, quando percebi que o meu cartão de crédito, usado na loja, não estava comigo. Me dei conta de que não tinha pegado o cartão de volta depois de pagar a compra.

Por sorte, eu ainda tinha tempo de voltar à loja, antes do horário do meu ônibus. Estava preparada para ir à mesma caixa onde havia pago e explicar, descrever etc. Assim que entrei na loja, me deparei com um funcionário, que não parecia gerente. Olhei para ele com aquela cara de "me ajuda", e ele perguntou se eu queria alguma coisa. Falei que eu tinha esquecido o meu cartão de crédito e ele perguntou o meu nome e se tinha sido naquele dia mesmo.

Ele foi direção a uma gavetinha trancada com chave que ele tinha em mãos. Abriu a gaveta, retirou um saquinho plástico branco, lacrado, que na frente tinha escrito assim: "LICIA". Ele voltou, pediu uma identidade e eu apresentei. Ele abriu o saco e me entregou o cartão.

Todo o processo, desde que eu entrei na loja, até a minha saída, aliviada, demorou menos de cinco minutos. Além do alívio, eu mal pude acreditar em tamanha organização. São essas pequenas coisas que me fazem lembrar que aqui é primeiro mundo!

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Nem tudo são flores no Canadá

Ontem parecia estar tudo correndo bem, até o fim do dia...
Eu precisei trabalhar até tarde, até aí nada demais. O problema é que ontem o Bernardo também tinha aula até tarde. Então foi assim que tudo começou:
Saí do trabalho (no horario regulamentar), peguei o Lucas na creche. Passamos em casa, peguei a bolsa dele e o carro. Voltamos para o trabalho. Estava um transito absurdo (tudo parado para subir a ponte que liga onde eu more à Montreal). Enquanto isso o Lucas não chorava, berrava no banco de trás do carro. Chegamos no trabalho e depois disso correu tudo bem conosco.


Voltamos para casa. O Lucas estava faminto e morto. Ele jantou e foi dormir. Quando o dia parecia ter terminado, o Bernardo chega da aula, muito chateado, sem a bicicleta com a qual tinha saído pela manhã. Ele teve a bicicleta furtada!

Pois é, que aqui não teríamos o conforto de ter a família por perto, para recorrer nessas horas, já era bem claro para nós. Mas o fato de sair de casa com alguma coisa e voltar sem porque roubaram é uma novidade muito desagradável...

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Como as pessoas lêem neste país

Essa questão do hábito cultural é muito interessante. Tenho observado o quanto as pessoas aqui lêem.
No metro, tanto na ida quanto na volta do trabalho, quase todos os passageiros têm os seus livros em punho. Mesmo quando não arrumam um lugar para sentar, eles lêem se equilibrando ao meio de tantas outras pessoas no mesmo vagão.

De manhã até tem bastante gente que lendo o jornal que é entregue na porta do metrô, mas a tarde é puramente seus livros de romance.

Quando vamos aos parques também vemos as pessoas lendo, mas isso me chama menos atenção, por parecer um ambiente mais propício.

A verdade é que toda essa observação está quase me fazendo tirar os meus livros da estante e finalmente lê-los. Quem sabe esta vai ser a boa influência dos canadenses no meu hábito de leitura?

segunda-feira, 6 de junho de 2011

No hablo español

Aqui em Monbtreal 99% das pessoas, mesmo os canadenses, olham para mim e começam a falar espanhol. Eu viro para eles faço cara de idiota e falo: "Sorry?" Claro que eu sempre entendo, geralmente são frases simples e diretas, idênticas em português. Mas eu acho um abuso! Agora já até virou motivo de piada.

Um dia, levamos o Lucas ao hospital. Entregamos a carteirinha dele, fiquei esperando que a recepcionista devolvesse e ela virou-se e falou que ficaria com ela e depois ela devolveria. Eu entendi tudo e já ia me virando para entrar no consultorio, quando me dei conta que ela toinha falado em espanhol. Aí eu virei de volta e falei "Sorry?". O Bernardo que já estava dentro do consultório estava as gargalhadas e me chamando de ridicula. Ele que nem viu a minha cara, pois estava de costas, andando com o Lucas, descreve para todos a cara que eu fiz naquela hora.

Não bastando isso, fomos a um concessionária. O vendedor estendeu a mão para o Bernardo e falou "Nice to meeting you", depois virou para mim, fazendo o mesmo gesto e falou "Encantado". Fiz questão de ficar muda. Depois o cara perguntou se nos éramos hispânicos e falamos que éramos do Brasil. E ele falou que já foi seis vezes ao Brasil, quatro para o Rio e duas para Recife. Poxa, ainda assim ele achava que eu era hispânica?????

Esqueci de mencionar o dia em que fui numa clínica e depois da consulta a médica virou para mim e falou: "Hablas espanhol?" Pelo menos esta perguntou, ao invés de assumir que eu falava. E quando eu respondi que não, ela perguntou: "Como não?". Eu, educadamente, respondi que falava portugues, acho que porque eu estava despreparada. Deveria ter perguntado: "Você fala árabe? Como não?"
Cheguei ao ápice da minha teoria da conspiração, quando um dia, no computador do curso, fui acessar o meu email do yahoo. Eu sempre digito assim "br.mail.yahoo.com", que é o yahoo do Brasil. Vocês não vão acreditar, apareceu o yahoo em espanhol na tela!


Depois dessa, acho que eu vou ter que me convencer que sou hispânica e que a minha primeira lingua é espanhol. Enquanto esse povo acha que está abafando por reconhecer que o meu nome é espanhol, "Azevedo" é um nome totalmente português! E para quem conhece, a minha cara é tipicamente brasileira. Tanto que uma vez, um chines olhou para mim e perguntou se eu era brasileira, porque ele já tinha morado alguns anos em SP.


Sim, eu falo espanhol. Me formei na Casa de España e tenho até o diploma. Mas se eu disser que falo, vão achar que é a minha língua e aí vou ter que me explicar, então, acho melhor não perder tempo. Era a mesma coisa quando eu saía na "night" e vinha um cara cujo eu não tinha o menor interesse. Quando ele perguntava qual era o meu nome, eu falava: "Ana" Que é curto, rápido de falar e fácil de entender. Imagina se eu falasse "Lícia" no meio do som alto da boite? Eu teria que repetir pelo menos tres vezes até os caras entenderem e nessa já teria iniciado uma conversa. Aprendi a ser prática assim. (isso foi só um parênteses)

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Último aluguel

Hoje, dia 1 de junho de 2011, não é nenhuma data especial no calendário, porém, estamos em festa, porque hoje pagaremos o nosso último aluguel! Mês que vem já estaremos no NOSSO apartamento, com o chão que a gente escolheu, as portas que a gente escolheu, as maçanetas que a gente esolheu, as bancadas que a gente escolheu, os armários que a gente escolheu. as luminárias que a gente escolheu, enfim, tudo do nosso jeito!
O apartamento ainda não está, digamos assim, pronto, mas pelo que percebemos, a construção aqui é ajato. Estamos acompanhando a evolução semanal do prédio e podemos ver, a cada sábado, diferenças enormes.
A única parte que desanima é ter que empacotar tudo para a mudança. Ano passado, depois da mudança, fiquei duas semanas com dor nas costas e por sorte a médica pediu a minha licença, porque estava difícil até de andar. Este ano teremos um reforço na arrumação: o Lucas! Ou seria melhor dizer, desarrumação? Não importa, pois o fim justifica os meios e no final disso estaremos na nossa primeira casa!

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

De volta a vida (mais que) real

Semana passada voltei a trabalhar porem nao posso dizer que voltei a rotina. Instaurou-se uma nova rotina na minha vida porque agora eu tenho dupla jornada.

Saio para trabalhar, passo o dia fora. Na volta, vou direto pegar o Lucas na creche e quando chego em casa fico 100% dedicada a ele (dar banho, mamá, jantar etc), até que ele durma. Só aí posso comecar a fazer outras coisas, como xixi beber agua, etc. Sem contar, lavar a roupa, arrumar a casa, etc. (nao, nao da para deixar toda a arrumacao para o fim de semana, senao a casa fica caotica e ainda por cima perdemos o fim de semana fazendo isso)

A ida e a volta para o trabalho eh como um comboio, o metro vai lotado, a estacao eh lotada e para completar as pessoas correm. E como correm! Correm para pegar o metro, correm para pegar a correspondência e depois correm mais ainda para pegar o onibus.

Ontem na volta do trabalho fui empurrada para dentro do metrô. Olhei para tras para ver se era homem ou mulher, porque eu tinha acabado de ser encoxada. Pois eh, aqui no primeiro mundo isso também acontece. Me senti pegando o metro na Central. E nem preciso dizer que depois fiquei em qualquer pequeno espaco que tinha sobrado, para apoiar meu pe. Lugar para segurar? Nem pensar. Nem imprensada na porta eu estava, porque la ficou a mulher que me empurrou para dentro.

Outra coisa que também percebi no metro foi o perfil dos passageiros. No horário em que eu vou normalmente, pode-se notar que as pessoas são mais velhas e estão indo trabalhar. No outro dia, saí de casa atrasada e peguei o metro um pouco mais tarde, o perfil era completamente diferente, as pessoas eram bem mais novas e estavam indo para a faculdade, quase todas usavam mochila.

Então é isso. Já dá para vocês terem uma idéia de como é ter um filho aqui, sem ajuda de avó, babá, empregada etc. Ainda bem que conseguimos uma creche, porque isso não é muito fácil também.