A viagem começou com uma grande aventura. Decidi ir sozinha com os dois bebês, para o Brasil. O Bernardo só poderia ir uma semana depois. Achei que seria uma missão tranquila, mas não foi bem assim. Fizemos uma conexão em Atlanta e lá eu já me sentia muito cansada. Qualquer ida ao banheiro era um trabalho imenso, criança, carrinho, mochila, bebê etc. No meio do vôo me senti enjoada, a minha pressão tinha realmente caído e eu caí também. Fiquei um bom tempo assistida por um médico, que no início eram três, mas depois ficou só um, quando eu já estava mais acordada. Me recuperei e consegui saltar andando do avião, mas por sugestão do comissário, segui pelo aeroporto de cadeira de rodas.
Sempre que chego no aeroporto tenho um choque, dessa vez não tive, achei tudo melhor, apesar de não estar muito em condições de me chocar com nada, porque o choque era eu! Logo que cheguei, uma funcionária da Delta que veio me ajudar com os meninos, na saída do avião, em poucos segundos de interação ela falou que só tinha um filho. Eu falei que dois era muito bom, aí segue o resto do diálogo: "É que eu separei do pai do meu filho, agora estou a um ano com um cara. Foi a primeira pessoa que eu colei depois do pai do meu filho, agora a gente está querendo." Foi aí que eu pensei: "Esse é o Rio de Janeiro. Cheguei!"
A partir disso, já me senti em casa. Chegar no Rio me traz sempre a sensação de que é a minha casa. Um dia, fui almoçar no Centro. Peguei um onibus, do qual a motorista era uma mulher. Ela ia falando, ou melhor, gritando, durante todo o trajeto. E só vinha na minha cabeça: "Aqui é o meu lugar. Motorista de onibus educado, bilingue... Isso não me pertence!" Eu estava realmente me sentindo em casa. Andar pelo Rio é como se eu nunca tivesse saído de lá.
Das percepções que eu tive: um dos assuntos que surgiu em todos os encontros que eu tive foi o preço surtado de tudo, outro assunto é o trânsito. O povo carioca está revoltado com o trânsito da cidade. E eu fiquei desesperançada com a expansão do metro. Não vejo solução mesmo.
Levei o Lucas ao teatro e ele se encantou. Fui ver Tim Maia - Vale Tudo". Adorei. Na hora de ir para casa, a inevitável comparação. Aqui quando vou ao teatro, entre sair do teatro, chego em casa em quinze minutos. Lá demoramos dez só para conseguir descer pela escada rolante. Outra difícil missão, conseguir um taxi para voltar para casa. Mesmo assim, fiquei muito feliz de ter ido, porque ouvi quase todos os meus amigos falando que era muito bom e tinha muita vontade de assitir.
Apesar de todo o meu esforço em fazer tudo que eu queria, não conseguir cumprir o meu "To do list". Preciso de outra viagem.



