Há quatro anos, deixei o conforto do meu lar, a estabilidade do meu trabalho, a proximidade dos meus amigos, o calor do Rio, peguei a minha trouxinha de roupa, na ponta do cabo da vassoura e vim para o Canadá. Sem saber como era aqui, como seria a minha vida, quando conseguiria um trabalho. Enfim, estava vindo para um imenso interrogação. Hoje já estou com a minha meta, que eram três anos, ultrapassada.
Vou começar a contar esta história antes do começo. Quase três anos antes de vir para cá, eu havia ido para Nova Iorque, em fevereiro (pleno inverno), com o Bernardo. Passamos muuuuuuito frio, pegamos -15oC e eu prometi para mim que nunca mais passaria um frio daqueles. Ironia ou não do destino, olha onde eu vim parar!
Cheguei aqui, em dezembro de 2008, estava um frio tão frio, que até hoje ainda não peguei um inverno quanto aquele. Mesmo assim, não passei frio como passei em NY. Comprei roupas adequadas e aprendi que quando vivemos no local, não ficamos tanto tempo expostos ao frio.
Deu tudo certo! Arrumei um emprego legal, na cidade que eu queria morar, que era Montreal, apesar da pressão dos meus pais para que ficasse em Quebec. Conheci amigos muito legais, que passaram a ser a minha família no Canadá.
Hoje a minha vida não se assemelha em absolutamente nada de quando eu cheguei, tirando o trabalho que é o mesmo. O Canadá me trouxe muitas coisas maravilhosas: um marido, dois filhos, uma casa e muita, muita história para contar. Além de ter aprendido até a cozinhar.
Alguns amigos puderam participar um pouquinho da minha vida aqui. Como campeã de quilometragem na ponte Rio-Montreal, minha mãe que estava aqui quando eu cheguei e participou comigo, dos momentos mais importantes aqui. Minha irmã, que me abrigou, quando eu cheguei com a minha trouxinha, sem ter para onde ir... Meu pai, que hoje em dia, gasta todas as suas férias para nos visitar. Bernardo, que não veio junto comigo, mas veio no início, para me fazer companhia por um tempo e foi fundamental para o meu estabelecimento em Montreal. Bruno Sbrubbles que veio passar férias e trouxe a minha maior surpresa na sua bagagem. Rogerio, que veio morar perto, mas nem tanto e participou de alguns eventos como meus 30 anos, Natal ou veio apenas fazer um lanche com a gente. Tia Cecília e Tio João Carlos, que vieram conhecer o neto e depois passar um friozinho. Bruno e Lu, que vieram conhecer o sobrinho. Tio Marcelo e Tia Bel que vieram aqui em casa conhecer o Lucas, logo quando ele nasceu e tiveram que tomar um café com muito mais pó do que água (ai que vergonha). Tia Carla e Tio João Paulo que vieram para um outro evento aí, mas tiveram um tempinho para passar lá em casa e jantar com a gente. Laura, que pude encontrar em Quebec, no casamento da Ana, não deu tempo de ir lá em casa, mas ficou hospedada bem pertinho. Vivi e Tia Rosangela, que vieram cumprir a promessa de nos visitar e nos alegrar com a sua companhia. Dinda Eulália, que por pouco não conheceu o Tiago, mas que passou um tempo maravilhoso com a gente (tempo de qualidade), e até hoje rimos das histórias. Tia Cibele, Vinicius, Gisele e Carol que cansadíssimos ainda disponibilizaram um tempo para conhecer a minha casa e passar um tempinho com a gente, por causa do horário do trem não puderam conhecer o Tiago na maternidade. Martinha e Lilinha que nos avisaram a tempo de encontrarmos com elas no restaurante e passamos uma agradável noite e pudemos matar um pouquinho a saudade dos amigos do encontro.
Para quem mora longe, encontrar amigos, por pouco tempo que seja, significa muito. Além de podermos matar as saudades, nos lembra que não deixamos nada para trás. Só estamos distantes e não esquecidos!
Viver aqui é muito bom, mas não posso dizer que estou adaptada e não sei se algum dia estarei. A minha cultura é outra, a minha língua é outra e isso pesa muito o tempo todo. Como disse acima, a minha meta inicial era de ficar aqui por três anos. Agora, vivo um dia de cada vez, apenas com o plano de um dia fazer planos. Não vou terminar este post com "que venham os próximos quatro anos", porque não é o meu desejo, mas ao mesmo tempo não é uma idéia a descartar...