O objetivo do blog eh manter os meus amigos atualizados sobre a minha jornada aqui no Canada.
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quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Tempestade de Neve

Hoje foi dia de levar o Tiago à pediatra. Isso seria uma coisa muito comum, se não fosse a maior tempestade de neve desde 1971.
A Lei de Murphy existe e funciona! Eu fiquei uma semana dentro de casa, sem colocar o nariz para fora. Justo hoje, que eu precisava sair e ainda com o bebê, caiu toda essa nevasca.

  • Primeira etapa da aventura: sair de casa com a neve até o joelho, carregando o bebê conforto (com o bebê dentro) e caminhar até o carro.
  • Segunda etapa: tirar a neve do carro. Essa atividade durou mais de quinze minutos e quando eu terminava um lado, o outro lado que já tinha limpado antes estava cheio de neve, de novo.
  • Terceira etapa: fazer rally pelas ruas que mesmo com o carro de tirar neve tendo passado, já estavam cheias de novo. Para quem não conhece a neve, imagina dirigir nas areias de Copacabana.
  • Quarta etapa: dei uma atoladinha ao sair do estacionamento da clínica, mas consegui sair tranquilamente, mesmo com o coração saindo pela boca.
  • Quinta etapa: esta eu amarelei. Como o médico fica perto do trabalho do Bernardo, pedi que ele saísse mais cedo e fui buscá-lo. Não teria como buscar o Lucas sozinha com o bebê, pois já tinha visto que sair de carro era loucura, ou mesmo impossível e não daria para ir andando com o bebê pela neve.
Eu estava mesmo preocupada se conseguiríamos chegar de carro em casa, mas graças a Deus conseguimos. O carro só não entrou completamente na vaga, por causa do acumulado de neve, mas pelo menos já estávamos no nosso estacionamento.

Pelo caminho vi carros, onibus e até caminhão atolados. Depois vi carro atolando aqui na frente da minha casa. Não posso ouvir falar em sair de casa, porque estou um pouco traumatizada. Mas já aprendi que com um tempo desses, não tem mesmo como sair. É muita loucura. Agora vejo todos os riscos desnecessários que corri, com o meu bebê, por causa de uma consulta, que poderia ser outro dia.




domingo, 16 de dezembro de 2012

Quatro Anos de Canadá!

Há quatro anos, deixei o conforto do meu lar, a estabilidade do meu trabalho, a proximidade dos meus amigos, o calor do Rio, peguei a minha trouxinha de roupa, na ponta do cabo da vassoura e vim para o Canadá. Sem saber como era aqui, como seria a minha vida, quando conseguiria um trabalho. Enfim, estava vindo para um imenso interrogação. Hoje já estou com a minha meta, que eram três anos, ultrapassada.

Vou começar a contar esta história antes do começo. Quase três anos antes de vir para cá, eu havia ido para Nova Iorque, em fevereiro (pleno inverno), com o Bernardo. Passamos muuuuuuito frio, pegamos -15oC e eu prometi para mim que nunca mais passaria um frio daqueles. Ironia ou não do destino, olha onde eu vim parar!

Cheguei aqui, em dezembro de 2008, estava um frio tão frio, que até hoje ainda não peguei um inverno quanto aquele. Mesmo assim, não passei frio como passei em NY. Comprei roupas adequadas e aprendi que quando vivemos no local, não ficamos tanto tempo expostos ao frio.

Deu tudo certo! Arrumei um emprego legal, na cidade que eu queria morar, que era Montreal, apesar da pressão dos meus pais para que ficasse em Quebec. Conheci amigos muito legais, que passaram a ser a minha família no Canadá.

Hoje a minha vida não se assemelha em absolutamente nada de quando eu cheguei, tirando o trabalho que é o mesmo. O Canadá me trouxe muitas coisas maravilhosas: um marido, dois filhos, uma casa e muita, muita história para contar. Além de ter aprendido até a cozinhar.

Alguns amigos puderam participar um pouquinho da minha vida aqui. Como campeã de quilometragem na ponte Rio-Montreal, minha mãe que estava aqui quando eu cheguei e participou comigo, dos momentos mais importantes aqui. Minha irmã, que me abrigou, quando eu cheguei com a minha trouxinha, sem ter para onde ir... Meu pai, que hoje em dia, gasta todas as suas férias para nos visitar. Bernardo, que não veio junto comigo, mas veio no início, para me fazer companhia por um tempo e foi fundamental para o meu estabelecimento em Montreal. Bruno Sbrubbles que veio passar férias e trouxe a minha maior surpresa na sua bagagem. Rogerio, que veio morar perto, mas nem tanto e participou de alguns eventos como meus 30 anos, Natal ou veio apenas fazer um lanche com a gente. Tia Cecília e Tio João Carlos, que vieram conhecer o neto e depois passar um friozinho. Bruno e Lu, que vieram conhecer o sobrinho. Tio Marcelo e Tia Bel que vieram aqui em casa conhecer o Lucas, logo quando ele nasceu e tiveram que tomar um café com muito mais pó do que água (ai que vergonha). Tia Carla e Tio João Paulo que vieram para um outro evento aí, mas tiveram um tempinho para passar lá em casa e jantar com a gente. Laura, que pude encontrar em Quebec, no casamento da Ana, não deu tempo de ir lá em casa, mas ficou hospedada bem pertinho. Vivi e Tia Rosangela, que vieram cumprir a promessa de nos visitar e nos alegrar com a sua companhia. Dinda Eulália, que por pouco não conheceu o Tiago, mas que passou um tempo maravilhoso com a gente (tempo de qualidade), e até hoje rimos das histórias. Tia Cibele, Vinicius, Gisele e Carol que cansadíssimos ainda disponibilizaram um tempo para conhecer a minha casa e passar um tempinho com a gente, por causa do horário do trem não puderam conhecer o Tiago na maternidade. Martinha e Lilinha que nos avisaram a tempo de encontrarmos com elas no restaurante e passamos uma agradável noite e pudemos matar um pouquinho a saudade dos amigos do encontro.

Para quem mora longe, encontrar amigos, por pouco tempo que seja, significa muito. Além de podermos matar as saudades, nos lembra que não deixamos nada para trás. Só estamos distantes e não esquecidos!

Viver aqui é muito bom, mas não posso dizer que estou adaptada e não sei se algum dia estarei. A minha cultura é outra, a minha língua é outra e isso pesa muito o tempo todo. Como disse acima, a minha meta inicial era de ficar aqui por três anos. Agora, vivo um dia de cada vez, apenas com o plano de um dia fazer planos. Não vou terminar este post com "que venham os próximos quatro anos", porque não é o meu desejo, mas ao mesmo tempo não é uma idéia a descartar...


terça-feira, 6 de março de 2012

Milestone alcançado: abrir processo para a cidadania

Após 3 anos, 2 meses e 18 dias da minha chegada ao Canadá dei entrada no processo para a cidadania canadense. É difícil ter uma família que todos têm dupla nacionalidade, exceto eu!

Na teoria, para termos direito à cidadania canadense, temos que ter estado em solo canadense no mínimo três anos (ou melhor, 1095 dias), nos últimos quatro anos. Para fazermos os cálculos, temos que descontar cada diazinhos que passamos fora do país. Por causa disso eu tive que adicionar 78 dias à minha data de "aniversário", que é 16 de dezembro. Estava contando os dias e as horas para enviar os papéis pelo correio. Eu só podia mandar no dia 4 de março, que foi domingo, logo, eu só poderia enviar na segunda, dia 5 de março. E assim foi feito!

Agora é esperar mais ou menos 18 meses para jurar amor à rainha e receber o meu passaporte!!!




quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Louça de Natal

Há pouco mais do dois anos, logo após o Natal de 2009, ganhei de presente da minha irmã um conjunto de jantar de Natal. Era um conjunto que eu tinha adorado e estava pensando em comprar. Com o passar do Natal, o produto caiu pela terça parte do preço e a minha irmã perguntou se eu ainda queria. Aquele Natal já havia passado, sabia que o Natal do ano seguinte, 2010, eu passaria no Brasil, mas mesmo assim eu quis, porque poderia utilizá-lo no Natal de 2011!

Como eu não ia usar as louças, eu não abri a caixa, aliás, isso é um péssimo hábito meu de não abrir para conferir as coisas na hora e deixar para ver na hora em que eu for usar. Bem, passados os dois anos, no dia 23 de dezembro abrimos a caixa para lavar as louças, para usarmos na ceia do dia 24. Após pegarmos as peças que iríamos utilizar, reparamos que estavam faltando o açucareiro e um bulezinho para o creme do café. Fiquei super chateada e frustrada, porque o meu jogo estava incompleto, mesmo que eu não fosse utilizar essas duas coisas. Ainda por cima achava que não era certo, porque quando a minha irmã comprou, nao foi avisado que estavam faltando peças, venderam como um conjunto completo.

Não sabia bem o que fazer, porque eu não tinha nota nenhuma e mesmo que tivesse, já havia passado dois anos. Passado o período de festas e um pouco menos revoltada com a situação, resolvi mandar um email para a loja contando o que tinha acontecido.

Fiquei super impressionada com a rápida resposta ao meu primeiro email. (já escrevi para outros lugares que nem se deram ao trabalho de responder) Depois da troca de alguns emails, a pessoa perguntou se tinha alguma loja Stokes perto de mim, porque ela ainda tinha essas peças no estoque e poderia mandar para mim. Fiquei super contente com a resposta, mas ao mesmo tempo um pouco ressabiada. Depois de duas semanas, me ligaram da loja para que eu fosse buscar o meu açucareiro o bule de creme.

Mais uma vez, me lembrei que aqui é primeiro mundo! Antes de tudo, eles confiam no cliente e ainda têm enorme presteza e atenção.

No próximo Natal, poderei servir cafezinho com açúcar e creme!!