O objetivo do blog eh manter os meus amigos atualizados sobre a minha jornada aqui no Canada.
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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Louça de Natal

Há pouco mais do dois anos, logo após o Natal de 2009, ganhei de presente da minha irmã um conjunto de jantar de Natal. Era um conjunto que eu tinha adorado e estava pensando em comprar. Com o passar do Natal, o produto caiu pela terça parte do preço e a minha irmã perguntou se eu ainda queria. Aquele Natal já havia passado, sabia que o Natal do ano seguinte, 2010, eu passaria no Brasil, mas mesmo assim eu quis, porque poderia utilizá-lo no Natal de 2011!

Como eu não ia usar as louças, eu não abri a caixa, aliás, isso é um péssimo hábito meu de não abrir para conferir as coisas na hora e deixar para ver na hora em que eu for usar. Bem, passados os dois anos, no dia 23 de dezembro abrimos a caixa para lavar as louças, para usarmos na ceia do dia 24. Após pegarmos as peças que iríamos utilizar, reparamos que estavam faltando o açucareiro e um bulezinho para o creme do café. Fiquei super chateada e frustrada, porque o meu jogo estava incompleto, mesmo que eu não fosse utilizar essas duas coisas. Ainda por cima achava que não era certo, porque quando a minha irmã comprou, nao foi avisado que estavam faltando peças, venderam como um conjunto completo.

Não sabia bem o que fazer, porque eu não tinha nota nenhuma e mesmo que tivesse, já havia passado dois anos. Passado o período de festas e um pouco menos revoltada com a situação, resolvi mandar um email para a loja contando o que tinha acontecido.

Fiquei super impressionada com a rápida resposta ao meu primeiro email. (já escrevi para outros lugares que nem se deram ao trabalho de responder) Depois da troca de alguns emails, a pessoa perguntou se tinha alguma loja Stokes perto de mim, porque ela ainda tinha essas peças no estoque e poderia mandar para mim. Fiquei super contente com a resposta, mas ao mesmo tempo um pouco ressabiada. Depois de duas semanas, me ligaram da loja para que eu fosse buscar o meu açucareiro o bule de creme.

Mais uma vez, me lembrei que aqui é primeiro mundo! Antes de tudo, eles confiam no cliente e ainda têm enorme presteza e atenção.

No próximo Natal, poderei servir cafezinho com açúcar e creme!!

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Perdi o meu cartão de crédito

Sexta-feira, pouco depois da hora do almoço, fui à uma loja no shopping, que fica embaixo do meu trabalho. Coloquei os meus cartões no bolso da calça e fiz a minha compra.
Na hora de ir embora do trabalho, fui tirar os cartões do bolso para guardar, quando percebi que o meu cartão de crédito, usado na loja, não estava comigo. Me dei conta de que não tinha pegado o cartão de volta depois de pagar a compra.

Por sorte, eu ainda tinha tempo de voltar à loja, antes do horário do meu ônibus. Estava preparada para ir à mesma caixa onde havia pago e explicar, descrever etc. Assim que entrei na loja, me deparei com um funcionário, que não parecia gerente. Olhei para ele com aquela cara de "me ajuda", e ele perguntou se eu queria alguma coisa. Falei que eu tinha esquecido o meu cartão de crédito e ele perguntou o meu nome e se tinha sido naquele dia mesmo.

Ele foi direção a uma gavetinha trancada com chave que ele tinha em mãos. Abriu a gaveta, retirou um saquinho plástico branco, lacrado, que na frente tinha escrito assim: "LICIA". Ele voltou, pediu uma identidade e eu apresentei. Ele abriu o saco e me entregou o cartão.

Todo o processo, desde que eu entrei na loja, até a minha saída, aliviada, demorou menos de cinco minutos. Além do alívio, eu mal pude acreditar em tamanha organização. São essas pequenas coisas que me fazem lembrar que aqui é primeiro mundo!

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Nem tudo são flores no Canadá

Ontem parecia estar tudo correndo bem, até o fim do dia...
Eu precisei trabalhar até tarde, até aí nada demais. O problema é que ontem o Bernardo também tinha aula até tarde. Então foi assim que tudo começou:
Saí do trabalho (no horario regulamentar), peguei o Lucas na creche. Passamos em casa, peguei a bolsa dele e o carro. Voltamos para o trabalho. Estava um transito absurdo (tudo parado para subir a ponte que liga onde eu more à Montreal). Enquanto isso o Lucas não chorava, berrava no banco de trás do carro. Chegamos no trabalho e depois disso correu tudo bem conosco.


Voltamos para casa. O Lucas estava faminto e morto. Ele jantou e foi dormir. Quando o dia parecia ter terminado, o Bernardo chega da aula, muito chateado, sem a bicicleta com a qual tinha saído pela manhã. Ele teve a bicicleta furtada!

Pois é, que aqui não teríamos o conforto de ter a família por perto, para recorrer nessas horas, já era bem claro para nós. Mas o fato de sair de casa com alguma coisa e voltar sem porque roubaram é uma novidade muito desagradável...

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Como as pessoas lêem neste país

Essa questão do hábito cultural é muito interessante. Tenho observado o quanto as pessoas aqui lêem.
No metro, tanto na ida quanto na volta do trabalho, quase todos os passageiros têm os seus livros em punho. Mesmo quando não arrumam um lugar para sentar, eles lêem se equilibrando ao meio de tantas outras pessoas no mesmo vagão.

De manhã até tem bastante gente que lendo o jornal que é entregue na porta do metrô, mas a tarde é puramente seus livros de romance.

Quando vamos aos parques também vemos as pessoas lendo, mas isso me chama menos atenção, por parecer um ambiente mais propício.

A verdade é que toda essa observação está quase me fazendo tirar os meus livros da estante e finalmente lê-los. Quem sabe esta vai ser a boa influência dos canadenses no meu hábito de leitura?

segunda-feira, 6 de junho de 2011

No hablo español

Aqui em Monbtreal 99% das pessoas, mesmo os canadenses, olham para mim e começam a falar espanhol. Eu viro para eles faço cara de idiota e falo: "Sorry?" Claro que eu sempre entendo, geralmente são frases simples e diretas, idênticas em português. Mas eu acho um abuso! Agora já até virou motivo de piada.

Um dia, levamos o Lucas ao hospital. Entregamos a carteirinha dele, fiquei esperando que a recepcionista devolvesse e ela virou-se e falou que ficaria com ela e depois ela devolveria. Eu entendi tudo e já ia me virando para entrar no consultorio, quando me dei conta que ela toinha falado em espanhol. Aí eu virei de volta e falei "Sorry?". O Bernardo que já estava dentro do consultório estava as gargalhadas e me chamando de ridicula. Ele que nem viu a minha cara, pois estava de costas, andando com o Lucas, descreve para todos a cara que eu fiz naquela hora.

Não bastando isso, fomos a um concessionária. O vendedor estendeu a mão para o Bernardo e falou "Nice to meeting you", depois virou para mim, fazendo o mesmo gesto e falou "Encantado". Fiz questão de ficar muda. Depois o cara perguntou se nos éramos hispânicos e falamos que éramos do Brasil. E ele falou que já foi seis vezes ao Brasil, quatro para o Rio e duas para Recife. Poxa, ainda assim ele achava que eu era hispânica?????

Esqueci de mencionar o dia em que fui numa clínica e depois da consulta a médica virou para mim e falou: "Hablas espanhol?" Pelo menos esta perguntou, ao invés de assumir que eu falava. E quando eu respondi que não, ela perguntou: "Como não?". Eu, educadamente, respondi que falava portugues, acho que porque eu estava despreparada. Deveria ter perguntado: "Você fala árabe? Como não?"
Cheguei ao ápice da minha teoria da conspiração, quando um dia, no computador do curso, fui acessar o meu email do yahoo. Eu sempre digito assim "br.mail.yahoo.com", que é o yahoo do Brasil. Vocês não vão acreditar, apareceu o yahoo em espanhol na tela!


Depois dessa, acho que eu vou ter que me convencer que sou hispânica e que a minha primeira lingua é espanhol. Enquanto esse povo acha que está abafando por reconhecer que o meu nome é espanhol, "Azevedo" é um nome totalmente português! E para quem conhece, a minha cara é tipicamente brasileira. Tanto que uma vez, um chines olhou para mim e perguntou se eu era brasileira, porque ele já tinha morado alguns anos em SP.


Sim, eu falo espanhol. Me formei na Casa de España e tenho até o diploma. Mas se eu disser que falo, vão achar que é a minha língua e aí vou ter que me explicar, então, acho melhor não perder tempo. Era a mesma coisa quando eu saía na "night" e vinha um cara cujo eu não tinha o menor interesse. Quando ele perguntava qual era o meu nome, eu falava: "Ana" Que é curto, rápido de falar e fácil de entender. Imagina se eu falasse "Lícia" no meio do som alto da boite? Eu teria que repetir pelo menos tres vezes até os caras entenderem e nessa já teria iniciado uma conversa. Aprendi a ser prática assim. (isso foi só um parênteses)